TOC: como conviver e qual o melhor tratamento?

Como lidar com o sofrimento do TOC   Alexandra Teles Psicóloga

Lavar as mãos repetidamente, conferir o gás dez vezes ou ser assombrado por pensamentos intrusivos que parecem não pertencer a você. O TOC é frequentemente descrito como um “curto-circuito” cerebral, mas para a psicanálise, cada ritual e cada obsessão carregam uma gramática própria.

No consultório, não perguntamos apenas “como” o ritual acontece, mas “o que ele está tentando dizer ou esconder?”.

A Neurose Obsessiva: Um Conflito de Forças

O que a psiquiatria chama de TOC, Freud estruturou como Neurose Obsessiva. O cerne dessa condição é um conflito intenso entre dois polos:

  1. O Desejo/Impulso: Desejos ou pensamentos (muitas vezes agressivos ou sexuais) que o sujeito considera inaceitáveis.

  2. A Moralidade/Superego: Uma instância interna rígida e punitiva que censura esses desejos.

O ritual surge como uma formação reativa. É uma tentativa mágica de anular o pensamento “mau” através de uma ação “boa” ou neutralizadora. Se eu organizar meus livros perfeitamente, talvez eu consiga controlar o caos e a agressividade que sinto internamente.

O Isolamento do Afeto

Uma característica marcante no funcionamento obsessivo é o isolamento do afeto. O sujeito pode ter um pensamento terrível (obsessão), mas ele o relata de forma fria, desconectada da emoção original. A energia emocional que deveria estar ligada a esse pensamento é deslocada para o ritual (compulsão).

Assim, o ritual se torna uma “armadura”: quanto mais o sujeito se ocupa com detalhes minuciosos e regras rígidas, menos ele precisa encarar as incertezas do desejo e da vida.


Prognóstico: Há Saída para o Labirinto Mental?

Diferente de abordagens que buscam apenas eliminar o sintoma, a psicanálise foca na subjetivação. O prognóstico na clínica psicanalítica é positivo, mas requer tempo e implicação do paciente.

O que esperar do processo analítico:
  • A Queda da Onipotência do Pensamento: O obsessivo acredita que seus pensamentos têm poder de causar catástrofes. A análise ajuda a separar o pensar do fazer, reduzindo a culpa esmagadora.

  • A Flexibilização do Superego: O objetivo é que o paciente deixe de ser um carrasco de si mesmo, aceitando que a imperfeição e a dúvida fazem parte da condição humana.

  • Do Ritual à Palavra: À medida que o paciente consegue colocar em palavras os conflitos que o angustiam, a necessidade de “atuar” através de rituais tende a diminuir. O sintoma perde sua função de escudo quando a verdade por trás dele começa a ser dita.

O prognóstico é a liberdade: Não uma vida sem dúvidas, mas uma vida onde a dúvida não paralisa a ação.

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Alexandra Teles Psicologa (11) 98909-1010 Terapia Cognitivo Comportamental para adultos e casais. Particular Agende sua sessão. alexandra, teles, psicóloga, psicologia clínica, terapia cognitivo-comportamental, saúde mental, bem-estar emocional, psicoterapia, psiquiatra especialista, transtornos psicológicos, depressão, ansiedade, terapia online, psicóloga infantil, psicoterapia breve, abordagem psicanalítica, neurociência, inteligência emocional, transtorno de ansiedade, desenvolvimento pessoal, mindfulness, psicologia positiva, comportamento humano, autoconhecimento, tratamento psiquiátrico, consulta psicológica,

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